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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Que Eu Esteja Bem (?)


Injetei em mim algo que causa dormência,
É preferível não pensar, nem saber, nem ver, pois,
Se penso, me aflijo,
Se sei, sofro,
Se vejo, não vivo.
Livre dos sustos que permeiam, ainda me mantenho sóbrio,
Apesar da invasão de sensações tão extremas nos últimos meses.
Cogitei meios diferentes de encarar a vida:
Falar das coisas estranhamente maravilhosas;
Olhar para os lados, como se tudo fosse mais fácil visto deste ângulo;
Exclamar que estou deliberadamente bem;
Todas não passaram de tentativas mal-sucedidas, covardes.
Nem choro mais, as lágrimas estancaram de vez e deram lugar a uma fusão de sentimentos degenerativos,
Ao menos quando jorravam, levavam consigo boa parte da dor,
Já agora, nem elas.
É triste quando se reconhece está desarmado,
E no auge do desespero ainda incistir, mas o limite impede.

E essa insistência em viver está me matando!
Tenho notado os cabelos caírem,
Tenho me tornado cada vez mais vulnerável,
Estou cada dia menos lúcido;
Acho que só não perdi a sanidade ainda por sorte.
Uma coisa é certa, voltei à inércia,
E ao contrário de poucos que resistem e procuram reverter o quadro, acho que é por aqui mesmo que eu vou ficar.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

O Que Restou da Casa.


Em volta há só neblina. Não mais o escuro, nem a luz. A noite cedeu a uma manhã, cuja alvorada foi cinza.

Sonolento, levanto pra constar se ainda existe algum vestígio perdido... Cartas espalhadas, fotografias e um presente. Ali no jardim, flores despetaladas, regadas com lamúrias todas às manhãs. Esgotado, volto para o ponto de partida, cerrando rosas murchas, trazendo-as pra dentro, ponho-as num vaso.
Daqui a atmosfera é árdua. A casa anda suja de pó como se não habitasse mais ninguém. Eu ainda moro nela, ferido por dentro, desapontado.
Em pensar que um dia, foi neste lugar que tudo despertou...

O café que havia sido feito pra mim esfriou e anda amargo. Pensei em requentá-lo, mas a quem quero enganar?
Tento forçadamente sorrir, encontrar companhias certas, mas os ventos sempre me trazem notícias dele. Ouvi dizer que anda muitíssimo bem, desfruta hoje de coisas que, supostamente, o fazem se sentir um homem contente. Ele esta feliz!
Tais ventos só não dizem o motivo dele ter abandonado tudo assim, levando consigo aquelas palavras confortantes e os gestos que tanto me fizeram bem e me tornaram crédulo. Por que ignora, se um dia aqui nós acontecemos? Talvez nada disso lhe tenha mais importância. Na certa já encontrou a quem servir seu café.

Eu, porém, não penso em desmontá-la, tão pouco irei embora. Ainda que a ele não tenha mais significância, essa continuará sendo minha moradia.
Tirarei todo o pó. No jardim cultivarei margaridas. Não voltarei a ficar no escuro, de manhã, abrirei as cortinas para que o sol adentre e irradie a casa ao longo do dia; à noite, acenderei a lareira para receber desde os amigos, até aqueles que ainda não conheço com um novo e bem passado café.
E, o mesmo vento que se propaga e chega até a mim, retorne a ele ecoando os cânticos de felicidade que soarem daqui, soprando em seus ouvidos palavras de ventura; e, ainda que se mostre indiferente, as portas estarão sempre abertas a sua visita.

sábado, 10 de maio de 2008

Fome.


Moço, me ajude que eu tenho fome
Fome de saber o que me espera
Fome de afeto, de carinho,
Eu já tenho essa fome a muito tempo
E tenho medo dela não ser saciada.
É fome de saber quem disse
por que e pra que;
Fome de direito
que eu já cansei de dever.
É fome de história, de ler
de um ideal, motivo pra existir
Que eu ainda não descobrí;
De uma consciência conjunta
De princípios, de desejo
De dar prazer e ser retribuído
Desbravar o deconhecido
Explorar o inexplorado
Alcançar o inalcançável...
Seu moço, eu tenho é fome!
Dê-me suas sobras por favor
Pode ser um sentimento mais ameno
bons exemplos a serem imitados
Atitudes nocivas? Quero não, já tô esgotado!
Minha fome é de tudo, e de uma coisa só
De felicidade, ela existe ou está só no fim da novela?
Se a encontrar por aí
Diga que eu vivo procurando por ela.


21.mar.2007

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Apenas, Ele.


Ele acorda ás 10:00, exibe em sí
as marcas de seu estado deplorável do dia anterior
Não come mais
Anda abatido, entregue ao flagelo,
E a sua barba, por fazer;
Ele carrega em seus olhos
as lágrimas de um amante desesperado
e que não querem cessar,
Perdeu a coragem em algum lugar
Tornou-se um nômade de sentimentos
Um órfão de idéias;
Ele não encontra razão, também pudera
seu motivo único de sorrir esmiuçou-se
em complexos próprios;
Ele fez concessões pelo amor
Dedicou-se incondicional,
Por este viveu intensamente,
Esteve disposto a tudo, e ainda está;
Ele agora só tem por companheira
A lamúria
No peito, uma vala
Resume-se a um pobre
Miserável e arruinado homem
Arrasado por inteiro, ferido como um todo;
Ele ainda ama aquele, e por tal
estrangularía, até o último vestígio
de seu amor próprio.

Ele não irá jantar
vai esperar alguém chegar, para então requentar
a comida para dois.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Escuro da Casa.



Estavas ao meu lado
de repente na casa, a luz se apagou
e logo o frío se instalou
me fez sentir como se tu não estivesses mais alí,
vulnerável, eu tive medo
o escuro trás fantasmas consigo
e a solidão.
E se, eu não voltar a vê-lo sorrir?
Não se afaste de mim!
Se ainda estiveres aí, dá-me tua mão
pra encontrarmos juntos então,
a luz.

A casa continua escura,
e eu ainda nela, sem um sinal qualquer
uma chama pra aquecer
nem uma esperança se quer
tudo é bréu.
Será que vai demorar
E se durar pra sempre?
Dá-me tua mão outra vez
pra encontrarmos a porta juntos.
Eu confío em tí, pois

O que sabemos, porém esquecemos
é que uma vez lá fora, diante um céu de enorme constelação
jamais lembraremos de uma casa fría e escura
que nos fez temer, com todo o seu vazío.
Só me dá a mão uma última vez

pra saírmos logo daquí
eu confío em você.
Há luz ...

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Consciência .



Quero vida passada a limpoQuero me sentir puro, como o ser virgem que vem ao mundoChuva pra molhar meu rosto, escorrer pela pele
e levar embora a dor;
Quero andar na praia, pisar descalço na areia
Deixar que o oceano molhe meus pés, me inundar nesse mar
e a cada onda que bater, derrube e leve consigo o fardo desta vida;
Quero um meio eficaz de acalmar as vozes em fúria que zunem desde criança,
Pois, esses fantasmas da infância insistem em não calar!
Abrir os braços,
Sou o redentor!
E após ter mergulhado no mais profundo rio de lama
Num ato desesperadamente breve, ser eu
E emergir de novo.

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